A Poesia que me Habita

Enquanto me aguardo, visitam-me as palavras — como velhas conhecidas que chegam sem aviso, mas sempre no tempo certo. Elas se acomodam entre os silêncios e os suspiros, sussurrando segredos que nem eu sabia que guardava. Busco entre os meus versos e frutos, colhidos com mãos trêmulas e alma inquieta, alguma desavisada certeza de mim. Talvez um reflexo, talvez um eco. Uma distraída verdade oculta nas entrelinhas desta vida caótica, onde tudo parece ruir e renascer ao mesmo tempo.

É nesse intervalo entre o que sou e o que espero ser que as palavras me encontram. Elas não pedem licença — apenas se instalam, escavam, revelam. E eu, em meio ao caos, descubro que talvez a certeza não seja um ponto final, mas uma vírgula entre dois versos. Uma pausa breve onde me reconheço, ainda que por instantes, na poesia que me habita.

©️ Beatriz Esmer

Leave a comment

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.