Qual é a cura para a tristeza? Pergunta vã. Não há cura para a tristeza, porque ela não é uma doença; é um modo de ser, um osso que cresce para dentro.
Pode-se, é claro, engolir as pequenas pílulas coloridas que prometem o silêncio. Pode-se escrever, ah, escrever é tentar dar corpo ao que é puro vácuo, e despejar o que se sente no papel, como quem sangra para não transbordar. Talvez o aperto no peito ceda um milímetro. Talvez a vida deixe de ser esse consumo voraz e se torne apenas uma espera.
Mas a tristeza… ela nunca se apaga por completo. Ela se torna um resto, uma sobra de existência que não se deixa varrer.
Como um fantasma que não tem para onde ir, a tristeza voltará. Ela baterá à sua porta com os nós dos dedos feitos de névoa. Não importa o quanto você tranque as janelas ou finja que não há ninguém em casa; ela conhece as frestas. Ela entra porque é de casa. É uma visita que, mesmo quando vai embora, deixa o perfume amargo do “sempre” impregnado nas cortinas.
© Beatriz Esmer
