“Mãe, do que se alimenta o mercado?”
A pergunta pairou no ar como um pássaro hesitante antes de pousar. A mãe, com olhos cansados e mãos calejadas pelo tempo, suspirou:
“Da vida dos pobres, meu amor.”
O menino franziu a testa, tentando decifrar o peso daquelas palavras. Olhou ao redor, para as prateleiras abarrotadas do supermercado, para os anúncios coloridos que prometiam felicidade em embalagens brilhantes. Viu o homem de uniforme recolhendo os carrinhos, a mulher no caixa contando moedas, o entregador suado equilibrando sacolas.
A mãe apertou a mão do filho e continuou a caminhar. Passaram pela padaria, onde o cheiro do pão quente se misturava ao som das falas e caixas registradoras. O menino viu uma senhora hesitar diante dos preços, calcular mentalmente se poderia levar um pedaço de bolo para casa.
O mercado se alimenta da necessidade, do suor, da esperança. Cresce sobre os ombros de quem trabalha sem descanso, sobre os sonhos adiados, sobre as escolhas difíceis entre o aluguel e a comida.
O menino apertou mais forte a mão da mãe. Agora entendia. 😔
©️Beatriz Esmer
