O Tempo e o Traço

Dizer “para sempre” é um exagero dos relógios,
esses velhos ranzinzas que contam os segundos.
O amor não cabe nas horas do mundo,
ele prefere o vagar dos passos elogios.
Não tenho pressa de decifrar teus mistérios,
nem de catalogar os teus risos em uma estante.
O eterno, bem sabemos, é apenas um instante
que esqueceu de ir embora, sem mistérios.
Por isso, aceita este meu pacto contente,
sem as amarras das grandes promessas:
Eu quero te conhecer para sempre,
assim, aos pouquinhos, sem pressas.
Como quem descobre um verso novo no poema antigo,
ou uma flor que nasceu na rachadura da calçada.
Quero a eternidade de te ver distraído, no abrigo,
sendo, a cada novo dia, o meu eterno desconhecido.

© Beatriz Esmer

Leave a comment

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.