Um Futuro Distante

Por um momento, desconhecido para mim, em um futuro distante — se é que você acredita que exista — vou me levantar aos barulhos, entre sonhos, ou acordar com a luz do sol sacudindo minha alma de volta à pele. Vou despertar para esquecer, ou para lembrar. Ou talvez ambos, intermitentemente. De tempos em tempos, acordamos e dormimos — dia após noite, noite após dia — por um instante, um olhar, uma respiração. Por acaso, por escolha, por padrão. Nos arrastamos de volta ao sono confortável, pois a verdade é grande demais para se deixar entrar toda de uma vez. … Continue reading Um Futuro Distante

What the Wind Cannot Carry

The most precious things in this world are not for sale. They are not even things at all. They are people! There is a strange market out there that tries to put a price tag on everything we touch, everything we build, everything we consume. It wants to measure the immeasurable, to trade the untradable. But the heart knows a different economy. When the evening shadows lengthen and the noise of the marketplace finally fades, we realize that life’s true wealth cannot be wrapped in paper or bought with coin. The warmth of a shared laugh, the quiet sanctuary of … Continue reading What the Wind Cannot Carry

A Dança Cega do Despertar

Desperto, não sei se pelo sopro ancestral do vento ou pelo toque morno da luz que me rasga a pele, devolvendo-me a este mistério sufocante que é existir. Despertar é essa vertigem dolorosa entre o esquecer e o lembrar, um jogo cego onde a verdade ora se esconde tímida em estilhaços de vidas pretéritas, ora desaba sobre mim como uma tempestade crua que me arranca à força do sono. Nesta dança irreprimível, desabrochamos ou definhamos no vaivêm inexorável dos dias e das noites, condenados ao sublime equívoco de esquecer para lembrar, e lembrar para esquecer. E eis-me aqui, a pulsar … Continue reading A Dança Cega do Despertar

Apesar de Tudo …

Apesar do peso do mundo, que às vezes se abate sobre as costas como uma arquitetura invisível e intransponível — feita de ferro e silêncio —, a gente ainda respira. Há uma fatiga que não é apenas do corpo, mas da alma que já viu o bastante. É o cansaço de ser. Apesar da apatia dos homens, dessa espécie de sono em vida onde os olhos estão abertos, mas não veem, onde a banalidade do horror cotidiano virou paisagem e rotina, o instante insiste em pulsar. É curioso como o horror tem uma espessura mansa e macia; ele não grita … Continue reading Apesar de Tudo …

The Power of Tenderness

There are hours when words rot in the mouth. They dissolve into the vastness of another’s pain, dry leaves falling without weight, without impact. We murmur calm down, it will pass, do not worry, yet these are borrowed certainties—thin shields offered with pure hands, yet utterly useless against the shadow. The soul, in its trembling nakedness, does not beg for an explanation. The soul begs for a lap. It begs for the secret, heavy rest of an embrace. Fatigue is an invisible animal that prowls our ribs, whispering that no recipe, no pre-packaged encouragement, can ever stitch us back together. … Continue reading The Power of Tenderness

Amour, Beauté et Nostalgie

Peut-être que l’amour se tisse dans les marges du quotidien, dans ces riens que notre hâte piétine et oublie. C’est dans la nudité des choses simples qu’il se livre, semblable à un secret que le vent souffle sans le vouloir. Et qu’importe si on ne le comprend pas jusqu’au vertige, car la beauté, elle, trouve toujours une faille pour éclore. Elle surgit là où on ne l’attend plus, telle une brûlure de soleil traversant les nuages après l’orage. C’est pourquoi l’amour palpite avec violence dans ce qui n’est pas dit, dans ce silence partagé qui pèse et qui sauve, dans … Continue reading Amour, Beauté et Nostalgie

A Perda do Instante

Perdi de novo. O instante exato que eu queria guardar escorreu pelos meus dedos no segundo estúpido em que estiquei o braço para alcançá-lo. Tentei fixar os olhos, mas a verdade é que os mantinha fechados. No piscar de um cílio, como um sopro sujo, o mundo mudou de lugar: a luz entortou, alguém espirrou longe, a terra deu uma guinada cega no vazio — e pronto, já era. Achei que daria conta de escrever sobre isso. Envolvê-lo em palavras grossas, costurar um casaco de linguagem para abrigar a coisa antes que ela morresse de frio. Mas nenhuma palavra minha … Continue reading A Perda do Instante

Se um dia …

Se algum dia minha história for contada, diga que caminhei entre as estrelas. Que meus passos, embora terrenos, sempre buscaram o brilho do infinito. Que meus sonhos, vastos e luminosos, se entrelaçaram com a poeira cósmica, criando constelações de esperança e coragem. Diga que, mesmo nas noites mais escuras, eu olhei para o céu e encontrei força nas estrelas cintilantes. Que cada desafio enfrentado foi uma estrela cadente, um desejo realizado, uma prova de que a luz sempre prevalece sobre a escuridão. Que minha jornada foi guiada pela luz das estrelas, e que, em cada momento de dúvida, eu encontrei … Continue reading Se um dia …

Advices

In the hush of midnight, I imagine the advice my mother never gave—less about routines and more about soul-fire. Maybe she’d have murmured, “Baby, never apologize for loving too harsh.” Because love isn’t meant to tiptoe—it should rage like a wildfire, erasing past verses and penning new ones in ink made of longing and thunder. Every kiss, every promise, a fierce declaration that you lived, burned, and began again. She might’ve taught me that craving more of life is no sin. “You owe it to yourself,” she’d say, “to chase dawn, dance in storms, and sip the ocean on your … Continue reading Advices

From …

From this side of the world, they taught us that white is good and black is bad. From other parts of the world, one learns the opposite, and one looks at the white with distrust and terror.In human history, the worst actions are white. In the name of good, the Black people have been exploited, chained, derided, killed, marginalized.Yet it would be so easy to distinguish good from evil. It would be enough to look into each other eyes … 😞 Continue reading From …