O Grito que Nos Costura

Há dias em que a vida é um ruído insuportável, uma tempestade que me habita e me desabriga. Sinto, com um terror quase místico, que a civilização — esse frágil arranjo de formas que inventamos — está por um fio, pronta a colapsar se não aprendermos, finalmente, a honrar a dor do outro. Como se a dor fosse, na verdade, a nossa única pátria comum. Apesar da minha resistência, apesar dessa minha teimosia em querer ser intocável, há uma verdade que pulsa nos meus ossos, uma certeza que não pede licença: só a abertura do coração torna o mistério visível. … Continue reading O Grito que Nos Costura

My Silence

I painted smiles to adorn my silence. With eyes tightly shut, I whispered secrets of enchantment, confessing to the moon and stars. And oh, how I danced like a mad soul, chasing the elusive pulse of love, even when reason deemed it unnecessary. But in your absence, my emotions grew feverish, aching for your touch. They ignited a rebellion within my reveries, setting passion ablaze amidst the shadows… ❤️ ©️ Beatriz Esmer Continue reading My Silence

Yearning House

I stand like a lonely house, weathered by time and memory. My timeworn walls echo with the whispers of your absence, each creak a yearning for your return. The windows, once vibrant portals to the world, now ache with anticipation, yearning for the moment when you will see me again and breathe life into these forgotten chambers. Until then, I remain, a sentinel of longing, waiting for the day when your footsteps grace my threshold once more.The seasons pass, and still, I wait. The sun traces its golden arc across the sky, casting shadows upon my worn floors. The wind, … Continue reading Yearning House

O Território do Outro

Ele prometeu o mundo e o fundo. E o que é o mundo senão uma forma desesperada de nos conter? Ele lambia meus poemas como quem saboreia uma fruta proibida, roçava meus devaneios literários com uma volúpia que, hoje percebo, não era desejo, era voracidade. Eram tantos adjetivos adjetivando minhas pinceladas, minha feminilidade, e até mesmo a minha voz rouca de cantora de cabaré — essa voz que, por ser rouca, sempre soube demais sobre o silêncio. Eu me deixava envolver. Por um instante, acreditei que ser assim, tão minuciosamente observada, era ser amada. Erro crasso. O olhar dele não … Continue reading O Território do Outro

A Sinfonia da Existência

Seguro o amanhecer nas palmas das mãos, esse calor suave que é constante no fluxo e refluxo da vida, tal como o amor que sinto pelos meus. É um laço tecido de risos compartilhados e acenos silenciosos, uma conexão que dispensa palavras, pedindo apenas a presença — o mistério de estar junto. Os azuis do céu são as minhas emoções expostas; o cerúleo é o meu riso sob o sol, o índigo é a minha reflexão profunda do crepúsculo. Cada matiz é um verso na história da minha vida, uma narrativa que se conta em cores, porque an alma também … Continue reading A Sinfonia da Existência