Mel e Vertigem

Devo voar. Mas não é o voar dos pássaros, esse que se explica pela biologia ou pela mecânica das asas. É um voo sem penas, sem nada que me sustente a não ser o próprio vazio.

Sinto o sopro. Ele vem de uma esperança súbita, uma dessas correntes de ar que invadem a sala por uma janela mal fechada — uma fresta, apenas o suficiente para que o destino me toque. O ar agora tem um gosto espesso, uma mistura de lavanda e mel que me entorpece a língua, enquanto o cheiro dos cedros traz uma saudade de algo que nunca vivi.

Ali, naquele hiato entre o que sou e o que sonho, eu me entrego. Vou flutuar em uma brisa de sonho, sem esforço, apenas sendo. Pois voar, no fundo, é um modo de silenciar o corpo e deixar que a alma, enfim, se perca no azul. ❤️

© Beatriz Esmer

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