O Amor

A quietude do quarto era quase sólida, até que a frase me saltou do peito, pesada e viva, exigindo um corpo: “O amor exige expressão.”

Não há como domesticá-lo. Tentei, por um instante, guardá-lo sob a língua, mas o amor rejeita o cativeiro. Ele não suporta o ensimesmamento. Não fica parado, estagnado como água morta; não fica calado no escuro da hesitação. Há uma urgência quase violenta em sua doçura. É bom, é modesto na sua própria imensidão, mas — e aí reside o perigo e a beleza — ele quer o mundo. É para ser visto, ouvido, sentido até que doa um pouco, daquela forma boa que nos lembra de que estamos vivos.

De repente, a própria matéria do silêncio se rompe. O amor não pede licença; ele estoura em línguas de louvor. É como aquela nota alta, aguda demais para os limites da matéria, que vibra no ar até que — num estalo de lucidez e entrega — quebra o vidro e derrama o líquido.

O líquido somos nós, transbordando para fora das bordas do ego. Já não há mais dentro ou fora. Há apenas o derramamento. Olho para as minhas próprias mãos e percebo que amar é essa nudez pública da alma. Um milagre escandaloso que se recusa a se esconder.

❤️Feliz Dia dos Namorados! Que a gente tenha sempre a coragem de quebrar o vidro e se deixar derramar.❤️

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