O Verbo e a Matéria
Dei por mim pensando na gramática das coisas vivas. Como somos rápidos em aprisionar o fluxo em substantivos, em cercar o mistério com arame farpado e chamá-lo de meu. Meu homem, minha mulher, minha vida. O pronome possessivo é uma tentativa burguesa e desesperada de conter o desabamento. É o medo do escuro, o medo de que o outro, ao desviar os olhos por um segundo que seja, deixe de existir para nós. Ou pior: que nós deixemos de existir para ele. Mas o amor… ah, o amor não se deixa mobiliar. Ele tem a consistência perigosa da geleia de … Continue reading O Verbo e a Matéria