A vida é breve demais, um sopro rápido entre o nada e o tudo. Enquanto a gente se perde em birras cotidianas, reclamando do grão de poeira no sapato, há quem lute com unhas, dentes e o último fio de esperança apenas pelo direito de respirar mais um dia.
Cada minuto que passa é nosso, dono de nenhum outro relógio senão o do nosso próprio peito. Cabe a nós — e a mais ninguém — inventar sentido para cada segundo, fazer do tempo um barco ou uma festa.
Porque, de repente, sem aviso prévio, os ponteiros param. O relógio esvazia. E não haverá mais minutos para gastar.
© Beatriz Esmer
