Amo as palavras que revelam quem sou, as que balbuciam quem você tenta descobrir.
Amo quando me perguntam o que há de interessante em mim.
Amo quando estás sob mim, minha pele tateando a tua.
Amo os olhos cansados, os olhos inquietos, os olhos à flor da pele.
Amo o fogo feroz dos olhares acesos pela loucura que habita por dentro.
Amo essa loucura, essa tempestade que nunca se doma — apenas se atravessa com a urgência de quem sabe navegar no escuro.
Amo os cavalos selvagens que jamais poderei montar, mas que, indomáveis, me ensinam os caminhos.
Amo a inquietude desatada no cascata dos cabelos soltos.
Amo a indecisão, o abrigo macio da incerteza.
Amo o peso teimoso das lágrimas.
Amo os medos sem nome, sem razão.
Amo os furacões, os redemoinhos.
Amo estar de pé, no meio da chuva.
Amo a doçura que, às vezes, só a lua nova ousa trazer.
Amo o amargor que brota fácil pelas fendas, ervas difíceis de arrancar pela raiz.
Amo os gestos, danças que só me cabe contemplar.
Amo o instante em que sou derrubada. Caio no amor porque ele, nu e claro, sempre nos espera no chão.
Amo o subir e descer dos peitos adormecidos, os lábios entreabertos.
Amo os sons que você faz sem saber.
Amo a treva dos pesadelos no corpo, desfeitos pelo brio de um beijo leve.
Amo o compasso apressado do coração.
Amo as pequenas coisas que dizem muito… ❤
© Beatriz Esmer
