A Poética do Aqui

A beleza do “aqui” não se encerra na geografia fria dos mapas; é uma pulsação morna, um segredo que a gente guarda no avesso do peito. “Aqui” é uma melodia antiga de pertencimento, um sopro leve de mãos dadas, de correntes invisíveis que unem duas almas. Pertencer não é prender; é ser olhado por alguém que nos vê na nossa inteireza mais frágil e mais bonita, e que, ainda assim, nos deixa livres.

Nos vazios férteis do tempo, o “aqui” vai se metamorfoseando. Às vezes é uma pessoa, um refúgio de pele e respiração, um lugar onde a alma descansa, ou aquela canção que nos rasga por dentro e nos devolve inteiros. É a promessa silenciosa que atravessa abismos e distâncias, a dor mansa da saudade e a alegria desmedida de, enfim, chegar. Quando duas vidas, separadas por tantas ausências, finalmente se encontram e murmuram — “ainda bem que estou aqui com você” —, a palavra se transfigura em abrigo. Um templo frágil de afeto, feito da matéria incorruptível do amor.
Porque o melhor lugar do mundo é sempre este, o agora e o aqui, como nos lembra a canção de Gilberto Gil. 🙏🏾❤️

©️ Beatriz Esmer

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