Saque Colonial

Dizem que o mundo se divide em ordens, classes e degraus de uma escada infinita. Os mapas oficiais inventam números e eufemismos para esconder a grossura das algemas. Inventaram a categoria distante de que países de terceiro mundo não existem, como se a pobreza fosse um capricho do clima ou um erro de cálculo no destino dos homens.

Mas a terra tem memória, e a história guarda o rastro do sangue seco nos porões dos navios. O que existe são países que foram saqueados e explorados por séculos de colonialismo.

A geografia não condena ninguém à miséria. O que condena é o apetite insaciável daqueles que chegam com espelhos e levam o ouro, que trocam a soberania por migalhas e chamam de “desenvolvimento” o fruto do roubo organizado. As feridas continuam abertas na América Latina, na África, nos cantos esquecidos onde o sol nasce para todos, mas o calor aquece apenas os cofres alheios.

Os donos do poder preferem a amnésia. Inventam nomes bonitos para a devastação, balanços econômicos que glorificam o lucro e escondem os cemitérios de esperança. No entanto, por baixo do verniz da modernidade, a verdade teima em pulsar: a riqueza de uns é, desde sempre, a condenação dos outros.

© Beatriz Esmer

Leave a comment

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.