The Inventory of Solitude

The clock on the wall ticks with a heavy, deliberate rhythm, counting down the hours of a woman I no longer am. I look at my hands and realize how much they have discarded. I have outgrown so many things, peeling them away like old, damp wallpaper in a house that no longer fits my soul. I have outgrown those blood ties, the relatives who sit in the parlor offering sharp, polished criticisms masquerading as affection, yet vanish into the woodwork the moment the scaffolding of my life requires support. I stepped out of the frame of their unrealistic expectations, … Continue reading The Inventory of Solitude

O Espaço para a Alma Respirar

Guardamos, guardamos sem saber por que, num impulso automático que nos transcende e nos reduz. São gavetas e mais gavetas entulhadas de coisas inúteis, pequenos nadas que acumulamos sob o pretexto covarde do “vai que um dia preciso”. Mas não é das gavetas de madeira que falo. Falo de algo mais secreto, mais vertiginoso. Falo da mente. É exatamente do mesmo modo, com a mesma negligência silenciosa, que preenchemos os vãos da nossa cabeça com um entulho pesado, uma poeira mental que só serve para uma coisa: fazer-nos esquecer. Esquecer do que é essencial. Esquecer da própria vida acontecendo agora, … Continue reading O Espaço para a Alma Respirar

A Matéria Escura do Domingo

Escrito em um Domingo no ano de 1990 Olho para o domingo e o domingo me olha de volta, com aquela sua cara de dia que não sabe bem para onde vai. Chove. Uma chuva miúda, dessas que não lavam a alma, só umedecem o vidro da janela e nos obrigam a olhar para dentro. É um canto perdido na hora, um instante qualquer que ninguém registrou no relógio, mas que aconteceu. O amor acaba num domingo.Assim, sem o estrondo de um relâmpago, sem o drama de uma ópera. Acaba na ponta de um silêncio que se estende pela sala … Continue reading A Matéria Escura do Domingo

O Banho de Mar

Viver não é paciência. O mar não espera que os pés se acomodem à hesitação das ondas. Não se entra na existência como quem testa a temperatura da água com a ponta dos dedos; o morno é uma mentira. Quem hesita, naufraga antes mesmo de molhar os olhos. Há um terror sagrado em se dar conta de que a maré derruba, de que a água gela a alma, mas o medo… ah, o medo não é proteção. O medo é o naufrágio da própria substância. O oceano exige o corpo inteiro. A vida exige o mergulho exato onde o chão … Continue reading O Banho de Mar

The Night My Mother Cried

The headlights cut through the dark like a blade, carving our departure into the night. Behind us, the streets were rotting, their fading posters curling away from broken walls as if trying to erase the past. Even the earth itself seemed to be fighting back, exhaling a raw, heavy scent of survival. In that quiet, heavy moment, we felt like nothing. Yet, as we moved, the strangers who shared our streets stood silhouetted in their doorways, watching us go. Suddenly, the dam broke. I remembered everything all at once. I remembered the sweet teacher who used to lift me onto … Continue reading The Night My Mother Cried

O Grande Blefe Histórico

Preste atenção. Donald Trump é a prova viva e cuspida de que os brancos nunca foram supremos ou superiores. Nunca. A história humana é cheia de mitos grandiosos criados para justificar a brutalidade. O maior deles, sem dúvida, foi a fábula da supremacia branca. Durante séculos, impérios foram erguidos, terras foram roubadas e corpos foram escravizados sob a narrativa de que o homem branco carregava o fardo de uma “superioridade natural” — seja no intelecto, na moral, na liderança ou na civilidade. Construiu-se uma redoma de vidro baseada na ideia de uma excelência intocável. Aí veio Donald Trump. E, com … Continue reading O Grande Blefe Histórico

78 Anos de Silêncio e Sangue: A Linha do Tempo de uma Opressão Contínua

O silêncio do mundo diante de uma injustiça prolongada não é neutralidade, é escolha. Quando olhamos para a história da Palestina, o que vemos não é uma sucessão de desentendimentos casuais ou conflitos geopolíticos complexos demais para serem resolvidos. O que vemos é uma linha do tempo implacável, linear e devastadora, onde os anos mudam, mas a violência permanece a mesma. Israel o fez em 1948, quando as fundações do Estado foram erguidas sobre o apagamento e o deslocamento forçado de centenas de milhares de palestinos. Repetiu a dose em 1956, em 1967 e na invasão ao Líbano em 1982. … Continue reading 78 Anos de Silêncio e Sangue: A Linha do Tempo de uma Opressão Contínua

The Whispering

It was you who taught us that the best way to pray was to make something beautiful. But beauty, you see, is a dangerous, breathless thing. It is not a decoration; it is an interrogation. Today, when we pray, we do not kneel in the traditional sense. Instead, we sit down before the heavy, silent weight of the world and arrange whatever happens to be in front of us—a broken glass, a spilled shadow, a sudden memory—into patterns, forms, and feelings. We search for the structure of what cannot be seen. We draw in the dust, knowing the wind will … Continue reading The Whispering

Ephemeral Echoes

To exist is to be completely, terrifyingly small. I look at the train tracks. They do not care that I am looking. Under the heavy, vertical weight of the midday sun, they stretch out—two parallel lines of molten gold cutting through the dust, leading toward an horizon that is always moving, always out of reach. Is it leading to an unknown destination? Or is it a journey home? Perhaps home is not a place at all, but the realization that we are always arriving and always leaving. And what am I? A self that is fluid, spilling over its own … Continue reading Ephemeral Echoes

Ta Graine

Amour, je suis venu secourir ta graine qui craint les hivers, qui redoute les lendemains—née des yeux, non par des chemins imprévus qui pourraient te perdre, mais par l’échec des erreurs passées, de ne pas savoir dire adieu. Lorsque nous réalisons que les clés de notre prison sont toujours dans nos poches, cette découverte peut nous mener à de véritables nouveaux départs. Ne nourris pas la peur de répéter tes actes poussiéreux. Tu apprendras que tu peux recommencer ou renaître sans bouger. La vérité est une terre sans chemin en chacun de nous, où la liberté est l’espace qui nous … Continue reading Ta Graine