O Silêncio dos Encontros

O caminho se faz no silêncio do que não dizemos, mas que pulsa, urgente, debaixo da pele. Caminhamos carregando o peso invisível dos dias, os retalhos de tudo o que fomos e daquilo que ainda tentamos costurar em nós. E, de repente, no meio do labirinto, a vida nos esbarra. Você surge não como um destino, mas como um espelho inesperado onde reconheço o reflexo da minha própria busca, feita de passos vacilantes e esperanças teimosas.

Nossos caminhos nunca foram iguais. Há abismos intransponíveis naquilo que cada um de nós carrega no peito, segredos guardados nas dobras da alma que o outro jamais saberá nomear inteiramente. No entanto, paramos. Há uma beleza melancólica e terna nesse instante em que duas solidões se reconhecem sem precisar de justificativas. Sabemos que a jornada é solitária, mas saber que há outro peregrino respirando o mesmo ar suaviza o frio da travessia.

Trocamos farpas com o tempo, dividimos o peso das cicatrizes que a vida nos cravou sem pedir licença. E, ainda assim, nos encorajamos. Há uma urgência bonita em dizer ao outro para continuar, em apontar horizontes que talvez só existam na fé que nos resta. Cada palavra é uma fogueira acesa na noite escura, um sopro de calor que nos lembra que ainda estamos vivos, inteiros e capazes de nos encantar com o pequeno milagre do recomeço.

Depois, cada um retoma o seu rumo, porque a marcha não espera. Mas algo em nós já não é o mesmo. Ficou o eco do encontro, a certeza frágil e luminosa de que não estamos completamente sós sob este vasto céu indiferente. Nossos passos se distanciam, porém as constelações que desenhamos no ar continuam brilhando, guiando em segredo os dias que ainda hão de vir.

© Beatriz Esmer

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