Final de Augusto de 2012

Uma data solta no tempo, sem contornos precisos, mas carregada de um peso íntimo. Esta noite, o chamado é para voltarmos a nós mesmos, a essa essência pura que um dia habitou em nós, intocada pelas marcas do mundo e dos outros.

Pensemos na infância, ou naquele estado de sonho onde o tempo se dissolve. Éramos leves, livres das exigências alheias. Sabíamos que o bem-estar alimentava a alma, que a alegria fazia a vida valer a pena. Não havia o veneno do merecimento, nem a culpa, nem a dúvida. Havia apenas a paz. Uma criança nasce buscando o aconchego, o amor, o colo e a leveza. Ela não questiona se é digna disso; ela simplesmente sabe.

Quantas vezes nos justificamos, nos tolhemos, nos convencemos de que não podemos — ou não devemos — buscar o que nos devolve a paz? Miremos por outro ângulo. Basta de desejar, de ansiar em silêncio, de carregar a ilusão de que precisamos pagar um preço para ter tranquilidade. A partir de hoje, isso é dever sagrado.

Cuidamos de uma centelha que nos foi emprestada pelo divino: nossa própria alma. Cuidemos dela com fervor. O corpo é templo, e pede respeito; a casa é o reflexo do espírito. Não se trata de merecer, mas de honrar a dádiva da existência.

Esta noite, respiro fundo e derrubo as muralhas que me separam do meu bem. Escolho o amor por mim mesma — pelo corpo, pelo espírito, pela paz que me habita — como prioridade inegociável.

Neste instante de silêncio e verdade, reencontramos a simplicidade de sermos. Somos chamados a reverenciar o divino que nos habita, a regar nossa alma com delicadeza, a esculpir uma vida que espelhe a beleza e a graça de quem verdadeiramente somos. Abraçemos essa travessia, deixando que a luz da nossa paz ilumine os passos.

©️ Beatriz Esmer

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