O Sonho Colonial dos Falsos Patriotas

Caminha o cidadão de bem pela sala de estar, a testa vincada pelo ódio de estimação que cultiva com esmero. Para ele, o verdadeiro flagelo nacional não reside nas engrenagens da desigualdade, mas sim naquele homem que ousou desenhar políticas de inclusão. Incomoda-lo profundamente o Bolsa Família, o SAMU, o Gás do Provisório, o ProUni, o Farmácia Popular e a expansão das universidades. Cada uma dessas portas abertas aos marginalizados soa para o reacionário como um insulto à sua frágil sensação de privilégio.

Em contrapartida, esse mesmo espírito crítico silencia — ou pior, bate palmas — quando o escolhido da vez é de outra estirpe. Não há rubor na face ao apoiar verdadeiros traidores da pátria, aqueles que desfilam com bandeiras estrangeiras e trabalham incansavelmente para colocar as riquezas brasileiras na mão dos Estados Unidos.

Não há pudor em apoiar um político, filho de um golpista condenado, que cruza fronteiras e vai ao exterior pedir tarifas e sanções contra o próprio país. O estrangulamento da economia interna, a entrega do patrimônio nacional, o desrespeito à soberania e o prejuízo direto ao povo brasileiro viram meros detalhes, meras “táticas” na cruzada moralista de fachada.

É um espelho invertido da pátria: prefere-se aplaudir o carrasco que saqueia e sabota a nação a tolerar aquele que estendeu a mão ao necessitado. No fundo do retrovisor ideológico, a constatação salta nua e crua, sem concessões: o problema do Brasil é VOCÊ!

© Beatriz Esmer

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