A Verdade

A verdade pode ser velha e feia, mas de coração bondoso.
Pode ser prato rachado com comida apetitosa; gosto amargo que serve de remédio.
Pode ser sombra que acolhe ou que assusta no quarto de dormir.
É porta imensa que não porta fechadura.
Rosa de espinhos afiados.
Pode ser tostão que nem sempre cabe no bolso.

A verdade é irmã mais velha da mentira — que dela se serve para parecer sensata.
É rainha, mesmo sem reino.
É reino, mesmo sem súditos.
É súdito, mas inteiro senhor de si.

A verdade é aquela cuja contradição também é verdadeira.
São os olhos dos que muitas vezes não se veem.
Mãe de todas as crenças, que por vezes não reconhece seus filhos.
Espelho que não confessa seus reflexos.
Silêncio que carrega poesia.
Noite que anuncia o despertar.

A verdade pode ser feita de cores, mas sempre nos faz enxergar o preto no branco.
Está abaixo de todas as realidades da vida e entre todas as costuras do tempo —
a existência e a alma a nos revelar.

Sob o véu, a verdade das coisas que nele vivem.
E a verdade em nós, que nele vivemos. 🙏🏾❤️

©️ Beatriz Esmer

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