O que nunca foi delas

Tem gente que a gente tenta alcançar com o coração inteiro. A gente se dobra, se estica, se molda. Oferece afeto como quem oferece abrigo em dia de tempestade. Dá atenção como quem serve café quente em manhã fria. E mesmo assim, não chega. Não toca. Não atravessa.

Eu, por exemplo, já tentei dar a algumas pessoas coisas que elas nunca tiveram. Paciência, escuta, cuidado. Um tipo de amor que não exige nada em troca. E por um tempo, achei que o problema era meu. Que eu não sabia dar direito. Que talvez meu afeto tivesse alguma falha de fabricação.

Mas hoje eu entendo perfeitamente por que elas nunca tiveram. Não é que não mereciam. É que não sabiam receber. Algumas pessoas vivem com o coração trancado a sete chaves, e não importa o quanto você bata na porta — elas não abrem. Porque abrir exige coragem. E coragem, às vezes, é o que mais falta.

A gente aprende, com o tempo, que não é sobre o que se oferece. É sobre o que o outro está disposto a acolher. E que há presentes que, por mais valiosos que sejam, não encontram mãos preparadas para segurá-los.

Então, a gente para de insistir. Não por rancor, mas por respeito. Porque o amor também sabe a hora de ir embora. 🙏🏾❤️

©️ Beatriz Esmer

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