A Gramática do Ser
Havia nela uma timidez de bicho do mato, um jeito de se esconder atrás das cortinas do próprio fôlego. Para essa moça, o mundo era um cômodo apertado, e a casca, uma couraça de ferro. Seu único salvo-conduto, o único meio de vazar de si e ganhar a rua, era o artifício do adorno. Mas não se enfeitava de fitas ou colares; enfeitava-se, sim, de uma substância mais perigosa e volátil: a poesia. O Desabrochar do VerboEm um esforço mudo, ela decidiu que a vida não bastava. E então ela expulsou o silêncio, empurrou-o para fora da boca como quem … Continue reading A Gramática do Ser