Antes que o Café Esfrie
Olhou-se no espelho e não se viu inteira; viu-se em estilhaços luminosos. Ela já se perdeu algumas vezes do caminho. Mas o que ninguém entende — e como poderiam? — é que perder-se é também uma forma de tatear as bordas da própria existência. Foi precisamente ali, quando estava perdida, que foi o momento em que ela se reconheceu mais. Há uma lucidez quase cruel no erro. Estar perdida é não ter amarras, e o vazio, ela sabia bem, é cheio de possibilidades. Seus dias já foram mais carregados, pesados de uma matéria cinzenta e burocrática. Hoje, a carga mudou … Continue reading Antes que o Café Esfrie