Of Sand and Shards

The world walks in iron boots across porcelain. We still say “democracy” with crumb-laced mouths — as if it were fresh bread, though it’s stale, crumbling, forgotten at the bottom of the basket. Gaza burns beyond the grasp of time, and empathy seems to have melted alongside it. On television, the dead are blurred — as if dignity were copyrighted. Trump speaks. Netanyahu acts. People bleed. Populism is a curtainless theater, where applause precedes the monologue and enemies are sculpted from fear. Each leader a caricature: fists raised, promises ablaze, truth hammered into slogans. “We will rebuild!” they shout. But … Continue reading Of Sand and Shards

O peso de não ver

Olho para o lado e percebo que existir é um ato político, por mais que canse. Às vezes, cansa tanto. Quando você me diz, com uma leveza que quase me espanta: “Eu não me interesso por política”, ou fecha os olhos num suspiro dizendo que “políticos são todos iguais”, sinto um frio no estômago. Você não está apenas emitindo uma opinião; você está abdicando de si mesmo. Está entregando o vislumbre de humanidade que lhe cabe, abrindo mão do voto — que é, no fundo, o sopro mais poderoso que possuímos para moldar o caos do mundo. Olhe ao redor. … Continue reading O peso de não ver

A Sagrada Responsabilidade de Estar Vivo

O relógio na parede insiste em seu tique-taque burocrático, mas o tempo da alma é outro, um tanto mais vasto e assustador. Olho para as minhas próprias mãos e me pergunto o que estamos fazendo com o mistério de estarmos vivos. Eu penso que o propósito de viver não pode ser tão pequeno e limitado a buscas individualistas ou vaidosas… A certeza disso ecoa como um baque surdo no peito. É verdade. Há um cansaço profundo em ver a humanidade rastejar atrás de vaidades miúdas, de palácios de vidro que qualquer vento de realidade pode quebrar. Passamos os dias decorando … Continue reading A Sagrada Responsabilidade de Estar Vivo

Fragmento 25: Da Natureza do Sonho

Acordei. Ou talvez estivesse apenas inaugurando um novo modo de estar acordada. Minhas mãos estavam enredadas nas de um outro, os pulsos numa sincronia assustadora, uma dança de silêncios que eu mal ousava respirar para não quebrar. Foi ali, naquele aperto quase insignificante de dedos, que tropecei no amor. O amor, descobri com um sobressalto de lucidez, é de uma delicadeza que quase ofende. Ele não grita; ele é despretensioso, sussurra nas penumbras do quarto, demora-se como um pensamento que chega atrasado, tecendo-se sem pedir licença na matéria pesada do cotidiano. É uma coisa que se infiltra no que é … Continue reading Fragmento 25: Da Natureza do Sonho

Si jamais tu sens que j’t’oublie, c’est pas vrai

Ça se peut qu’un jour, on se parle de moins en moins, ou même plus du tout. Mais sache que si ça arrive, c’est pas ce que je voulais. En fait, je t’aurais gardé pour toute la vie, comme on l’avait dit. Ça se peut aussi que je rencontre du nouveau monde. Que j’aie l’air heureuse. Que j’aie l’air d’aller bien. Ça se peut que je déménage, que je change d’air, que j’essaie de me changer les idées et de me rafraîchir le cœur ailleurs. Tu le sais, je me cherche encore. Peut-être qu’au fond, partir loin me ferait du … Continue reading Si jamais tu sens que j’t’oublie, c’est pas vrai

O Aprendizado das Mãos

Perdoe-me pelo despropósito de querer lhe tocar com tanta fúria. É que minhas mãos, tão costumadas com os entulhos e as miudezas sem brilho do mundo, desajustam-se. Diante de algo que guarda a pureza e a beleza das coisas Primeiras — assim como você —, minhas mãos perdem o juízo. Agigantam-se de um jeito torto, desajeitado. Em vez de ninar, elas engasgam, esmagam e quebram. Sou um bicho feito de cascas grossas tentando ninar uma asa de borboleta. Há uma demência em mim, você sabe. Uma esquisitice que precisa de tão pouco amor para sobreviver e, no milésimo de segundo … Continue reading O Aprendizado das Mãos

Palavras Despedaçadas

Você me pede palavras, e eu as tenho. Palavras que dançam no vazio, sem rima ou métrica, como um poeta errante sem destino. Elas emergem da minha mente como folhas soltas ao vento, carregando os fragmentos do meu coração partido.Essas palavras são como tinta derramada, manchando os recantos da minha alma. Elas ecoam nas paredes do meu ser, buscando uma utilidade, uma razão para existir. Mas talvez sua única função seja a de expressar o indizível, dar voz aos pedaços quebrados que habitam em mim.Às vezes, a loucura se esconde nas entrelinhas dessas palavras. Elas se entrelaçam, formando um labirinto … Continue reading Palavras Despedaçadas

Beyond the Flash

It is not that I exist in the way a rock exists, or a clock that strikes the hour. No. It is an existence so acute it almost feels like an absence. You look at the horizon, where the sky bleeds its last violently violet light, and you think the day is dead. But just beyond the sunset, I’m still here. I am the residue of that light, the part of the dark that hasn’t yet learned how to be cold. We look for signs, don’t we? We want the universe to blink at us. A sudden flash, a tearing … Continue reading Beyond the Flash

Prayer

I am a prayer in the confession of poetry. In the folds of my soul, I am the whispered verse, the unspoken plea. I am the gray Sundays and the sunlit Mondays of renewal. Each week, I am the shifting sky, alternating between melancholy and hope. At dawn’s threshold, I wonder—will our thoughts cross paths, will our words entwine? Will you know tomorrow what I will know? Will you be tomorrow who I will become? The flow of time carries my question—will our essences remain synchronized? I wanted to believe so, and I felt it so; I asked and answered … Continue reading Prayer