O Amor
A quietude do quarto era quase sólida, até que a frase me saltou do peito, pesada e viva, exigindo um corpo: “O amor exige expressão.” Não há como domesticá-lo. Tentei, por um instante, guardá-lo sob a língua, mas o amor rejeita o cativeiro. Ele não suporta o ensimesmamento. Não fica parado, estagnado como água morta; não fica calado no escuro da hesitação. Há uma urgência quase violenta em sua doçura. É bom, é modesto na sua própria imensidão, mas — e aí reside o perigo e a beleza — ele quer o mundo. É para ser visto, ouvido, sentido até … Continue reading O Amor