O Eco da Fome

A fome não é a mera ausência de pão; é o desmanche lento da dignidade. Começa como um sussurro no estômago e logo ruge, uma voragem que engole o pensamento, a alegria e o direito de sonhar.

O corpo pesa pelo desespero, e não pela força. Os membros tremem, os olhos embaçam e a mente se perde na neblina. É uma dor deliberada e cruel que aperta as costelas e se aloja nos ossos — a humilhação de ver as mãos vazias enquanto o mundo segue indiferente, marchando na sua cegueira cúmplice.

Fome é a arte macabra de ser apagado em vida. É o silêncio que esconde a criança sem forças, a mãe que jejua para alimentar a cria, o velho que finge saciedade. Milhões carregam esse fado a cada minuto, no entanto, a terra continua girando como se nada visse.

© Beatriz Esmer

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