Há um veneno fino e constante que escorre pelas frestas dos nossos dias. Ele não faz barulho, mas desfaz as paredes da casa comum onde todos deveríamos habitar.
O ódio. As mortes. As vidas ceifadas na calada de uma rotina indiferente. A violência que se abate sobre as mulheres, rasgando o silêncio com o eco seco de bofetadas e palavras que ferem mais que punhais. Tudo isso traça um mapa sangrento sobre a terra. Uma linha invisível, sim, mas implacável, erguida para fragmentar o que temos de mais sagrado: nossa sanidade, nossa humanidade, nossa consciência.
Transformaram o mundo em um eterno “nós contra eles”. É o inferno instaurado na cidade santa, na comunidade mais simples, no canto mais íntimo de onde ousamos sonhar. Quem ganha com essa ruína? É a engrenagem fria da propaganda, a agenda oculta dos que se alimentam do medo.
Onde foi parar o nosso discernimento? Onde jaz o resto de humanidade que nos resta?
É preciso parar. Interromper o ódio. Estancar as mortes. Silenciar o estrondo das matanças. Dar fim a essa violência desmedida, a esses tapas que estigmetizam corpos e almas.
Pelo amor de Deus, parem Donald Trump. Parem a sanha daqueles que transformam a política em carnificina e o discurso em arma. Antes que o mapa inteiro vire cinza.
© Beatriz Esmer
