Os Corredores do Tempo

Há uma casa dentro de nós, um refúgio esquecido nos limites da alma. É um lugar silencioso, talvez solitário, mas tecido de dores e ternuras que o tempo não conseguiu apagar. Suas paredes guardam retratos desbotados, fragmentos de um passado que insiste em pulsar, como fantasmas gentis que habitam o pó dos dias. É o tipo de morada em que os outros raramente entram; olham de fora e supõem que estamos seguros, intactos, inteiros. Mas, de vez em quando, o silêncio se torna denso demais, quase insuportável. E eu preciso sair. Preciso caminhar até a minha própria porta e bater. … Continue reading Os Corredores do Tempo

The Chronicle of a Silly Heart ❣️

I have learned that your hands disappear when you are a child and the toys move on their own. Not because of magic, but because wonder is a kind of gravity—pulling the strings of wooden puppets and wind-up dreams. In those moments, the world conspires to play with you. You are small, and so everything else becomes alive. I have learned that if you are still enough, birds and people trust you.Stillness is a language older than words. It tells the sparrow you mean no harm, and the stranger that you are listening. It’s how the wind decides to rest … Continue reading The Chronicle of a Silly Heart ❣️

O Peso da Sede

Eis que me descubro, de repente, diante de uma garrafa de veludo e rótulo dourado, dessas que custam o equivalente ao suor de meses e ao silêncio de anos. O vinho mais caro do mundo. Ele está ali, imponente, exigindo de mim uma reverência que os meus olhos cansados simplesmente não conseguem formular. Porque há em mim uma secura antiga, uma urgência áspera, uma sede que rasga a garganta e pede contas. E, no entanto, o que tenho é o luxo. O supérfluo engarrafado. Como é estranho o modo como nos enganamos. Gastamos a vida inteira aprendendo a decifrar safras, … Continue reading O Peso da Sede

O Rio, o Mar e o Silêncio

Há noites em que a casa dorme, as paredes guardam ecos de fantasmas antigos e o peito aperta com uma dor serena, quase doce. É nesse território onde o visível e o invisível se tocam que reencontro o que fomos. Yo y el mar. Eu era apenas este curso estreito, rasgado entre margens áridas e silêncios pesados, buscando na pressa das águas um destino que me salvasse da própria secura. Nasci de fontes fundas, do choro antigo da terra e do frio das montanhas. Cada pedra no meu leito era uma cicatriz; cada peixe que nadava contracorrente, um pensamento teimoso … Continue reading O Rio, o Mar e o Silêncio

Poetic Reflection on Words

How naive to believe in words strong enough to hold off the rain, when the weakest words cause the storm… Words have this small, almost invisible weight that we carry at our fingertips like someone handling shards of glass in the dark. We believe, in that crude illusion of those who want to save themselves, that a dike of well-washed phrases can hold back the downpour of the world. We want to lower the crest of the gale with polished nouns, as if grammar could challenge the tempest. But it is a serious mistake. The rain, after all, is only … Continue reading Poetic Reflection on Words

Crônica: Filha do Céu

Como pode uma filha do céu desvendar as próprias raízes, se o seu princípio habita o silêncio vasto dos astros? Na imensidão do alto, onde a luz antiga desenha mapas que a terra desconhece, silencio meus passos para me reconhecer apenas como um sopro breve na eternidade, uma errante que tenta prender o vento cósmico entre as mãos. Já não restam lágrimas para preencher os abismos dos oceanos que me afastam do incerto; agora, apenas permaneço na margem, contemplando o Ocidente onde o sol se desfaz em âmbar e índigo. O toque salgado das ondas que beijam meus pés devolve-me … Continue reading Crônica: Filha do Céu

Saudade, Amor e a Luta Diária

Hoje eu acordei com uma saudade assim, espessa e antiga, algo que me aperta por dentro e estrangula a alma com a delicadeza de um nó cego na garganta. É um peso que não avisa, que desaba sobre o peito logo nos primeiros clarões da manhã, como se o passado inteiro quisesse caber no silêncio do meu quarto. A gente passa a vida inteira tentando decifrar esse labirinto que é existir. Sabendo, no fundo, que navegar é preciso — que é preciso rasgar os mares do tempo, mesmo quando o barco é frágil e a cerração do mundo nos cega. … Continue reading Saudade, Amor e a Luta Diária

Writing in the Rain

It’s raining here, and the wind doesn’t want to stop knocking on my window. I love the rain, but I still can’t understand why I write every time it appears. Maybe because, if you know how to listen to the rain and the silences, they have their own fragile, hidden words. Or maybe because it falls on your indecipherable thoughts, while I’m here convincing myself that, no matter how much something can tear us to shreds, or leave us like pieces in a trunk or skeletons in a closet, we will never be completely destroyed. I write because there are … Continue reading Writing in the Rain

O Relevo da Pele

A pele não é um invólucro mudo; ela guarda, em silêncio, a urgência das águas que empurram os navegantes para longe do porto. Carrega a antiga rota dos corações que adoeceram de saudade em terras estranhas, tecendo, nas fendas invisíveis do tempo, a geografia de continentes que se romperam por dentro. Não nos pertencemos. Somos apenas inquilinos temporários deste território de carne, viajantes que tateiam o próprio corpo como quem decifra um mapa antigo, manchado pelo sal e pelo vento. Cada vinco, cada pequena cicatriz que o tempo desenha sem pedir licença, é a testemunha silenciosa de vidas que já … Continue reading O Relevo da Pele

The Big Difference

She had always known the difference—between being admired and being understood. Compliments came easily: “You’re cute,” “You’re funny,” “You’re something else.” But she wasn’t looking for someone who merely noticed her. She was waiting for someone who wanted to know her. Not just the obvious things. Not just the way she smiled or the way her laugh lingered in a room. She longed for someone who wanted to know every detail—someone who would read every word she wrote, not just skim the surface. Someone who would listen to her favorite song and ask why that one note made her heart … Continue reading The Big Difference