O Ritmo dos Corações

Se, em um ato de desmedida coragem, apertássemos o peito contra o peito de alguém, haveria de chegar o momento em que os corações, exaustos de solidão, começariam a pulsar no mesmo compasso. É um mistério sutil e físico: até dois pequenos recém-nascidos, confinados ao silêncio estéril de uma incubadora, alinham sem querer as suas batidas e fazem da vida um eco compartilhado. Eu amo isso. Há uma urgência terna nessa sincronia.

Eis que me ocorre: se tens na tua rota alguém que traz consigo a sombra inquieta da ansiedade — como eu —, e por ventura te coube a graça de ser a calmaria, poderias simplesmente aproximar-te. Um abraço de peito a peito. Uma fusão de costelas e respirações. Quem sabe o meu coração, antes em disparada febril, não se acalmaria ao encontrar o teu porto seguro? Eu amo profundamente essa ideia.

Ou, quem sabe, seria o teu coração calmo que se descompassaria, acelerando-se para vir ao encontro do meu desespero. De um modo ou de outro, não importa: estaríamos lá, irrevogavelmente juntos no mesmo instante.
❤️🙏🏾

© Beatriz Esmer

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