O Intervalo das Coisas
O silêncio tem uma textura própria, quase de veludo gasto pelo tempo, daqueles que a gente guarda no fundo da gaveta e só ousa tocar nos dias em que o mundo faz barulho demais. Foi nesse silêncio que me encantei. Não foi por alguém — os amores de fora costumam pedir licença, às vezes chegam arrombando a porta, mas este não era sobre o outro. Nem foi por um grande acontecimento, daqueles que a gente fotografa para provar que esteve vivo. Me encantei por estar. Simplesmente estar, com a crueza e a graça de quem respira. Por ser, nessa urgência … Continue reading O Intervalo das Coisas