Œil pour œil …

Œil pour œil, balle pour balleDent pour dent. Vers clandestins de contrebandiersAu lieu d’amants, rafalesAgitées la nuit, sans abri, froidDésabusé de toute innocenceEntre les voitures suppliantesAu feu rougeAvec un œil transpercé comme le poètePieds nus sur le sable incandescent. Là où il y a de la violenceLà où l’argument échoueLà où il n’y a plus d’espoir. Là où il y a un couvre-feuIl y a un cri… 😞 ©️ Beatriz Esmer Continue reading Œil pour œil …

O Nascimento do Luar

Amável. Adorável. Uma palavra que antes me era estrangeira, uma língua que eu não sabia falar com as mãos, muito menos com a alma. Até agora. Agora, sinto o peso doce dessa descoberta, como se eu tivesse finalmente traduzido o próprio silêncio. Eu te desafio, sim, é um desafio, quase uma audácia, a contar as infinitas vezes em que morri. E, com uma violência mansa, as vezes em que nasci de novo. Houve birras. Houve um desespero infantil e sagrado. Eu me roí por dentro, arranhei as paredes da minha própria pele para conseguir sair de mim. Era preciso. Era … Continue reading O Nascimento do Luar

My dear,

I cannot wait to be patient with you. I cannot wait to slowly learn all your little quirks and flaws, and for you to learn mine. I cannot wait to hold you when you are battling against the coldness of life at 3:00am, and to wrap you up in my arms until you are warm again. I can’t wait to whisper into your ear that you are beautiful (especially in crowded places when you can’t argue back) and to continue doing so even if it takes a million times to make you believe it. I cannot wait to catch you … Continue reading My dear,

Poet

An artist-a poet rather, fell in love with the simplicity in her reflection. She wrote; penned sestinas to her name, odes to her graces, attempted to infringe on the fine lines of ballads. She was in love with herself. One morning, when the sun started out its quest to reach the zenith of his sky, she sat at her desk facing the bustle down below. Gazing at herself smeared on the window, a dark limping figure wrapped in the finest silk of enigma, standing out amongst the vibrant colour of euphoria, caught her gaze. She was both intrigued and baffled: … Continue reading Poet

A Liturgia do Peito

No meu peito, a vida não se pede licença; ela se instala com o peso sagrado das coisas antigas. Meu coração tem catedrais imensas, dessas de teto alto onde a poeira brilha no feixe de luz que atravessa o vitral, desenhando santos no chão de terra batida. São templos de priscas e longínquas datas, erguidos antes mesmo de eu saber que existir era esse ofício de sustentar o eterno no que é perecível. Ali, entre o cheiro do café coado e o mofo das sacristias, um nume de amor, em serenatas, desata o nó da garganta e canta a aleluia … Continue reading A Liturgia do Peito

Disparaître complètement pendant un jour ou deux, s’immerger dans son âme…

Ne pas voir d’amis, ne pas répondre au téléphone, juste prendre le week-end pour disparaître. Explorer les petites cavernes cachées en soi qui ont été fermées il y a des années. Relire d’anciens journaux de lycée et se souvenir des choses que l’on a traversées. Se rappeler à quel point on était merveilleusement plein d’espoir et naïf. Prendre quelques heures pour préparer son plat préféré. Boire la moitié de la bouteille de vin en cuisinant, et le reste pour le dessert. Écouter toute sa collection de disques en se déversant sur le papier. Écrire des poèmes douloureusement honnêtes ou dessiner … Continue reading Disparaître complètement pendant un jour ou deux, s’immerger dans son âme…

O Abrigo de Vidro e Osso

E agora, Bia? A festa não houve, mas o frio chegou.Então, com a paciência dos que sabem que o tempo é um bicho lento,eu levanto um esconderijo improvisado entre as minhas próprias costelas.É uma casa feita de arquitetura interna,onde o teto é o esterno e as paredes são o que sobrou de mim.Para esquentar o que o mundo resfriou,não busco lã nem fogo alheio.Estendo sobre a alma cobertores tecidos com minhas palavras favoritas:substantivos que me ancorem, adjetivos que não me firam,e aquele verbo — ser — que insiste em não conjugar no pretérito.Ali, no escuro morno do meu próprio peito, … Continue reading O Abrigo de Vidro e Osso

Collective of Souls

I am a collective of souls. I am all their hopes, all their dreams. I am both their greatest disappointment and most cherished possession. I am everyone and everything. Or at least it used to feel as if I had to be. I am. Whatever that means. Whatever that is. I don’t know. Once I was a daughter. Once I was a friend. Maybe even an enemy. Once I was a lover. Once I was comfort. Once I was anger. Once I was an inspiration. Once I was nothing. Once I was all. And now I am. I am less … Continue reading Collective of Souls

O Instante do Clarão

Há um silêncio que precede o desastre, e esse silêncio é Deus. Eu olho para o vazio e o vazio me olha de volta com olhos de lince, esperando que eu finalmente desista de ser uma forma inteira. Porque ser inteira é uma mentira das molduras. O que eu sou, de verdade, é esse gás esparso, essa poeira de nada que flutua no escuro, fingindo que não tem medo da gravidade. Dizem que o universo é uma ordem, mas eu sinto que ele é uma fome. E para que a luz deixe de ser um ensaio e se torne um … Continue reading O Instante do Clarão

O Sagrado Não-Saber

Às vezes, o que eu não sei é tão vasto que se torna a minha própria pele. Eu não sei de quase nada, e esse não-saber me arranha a garganta. Como explicar o veneno que governos destilam sobre seu próprio povo? É uma lucidez fria que me escapa. E as crianças, ah, as crianças, que caem sob o peso de um metal que cospe morte, segurado por mãos que ainda guardam o cheiro do giz e do pátio. São meninos matando meninos, e o ferro é mais pesado que a alma. Sinto o mundo oscilar. O planeta cambaleia, um gigante … Continue reading O Sagrado Não-Saber