A Vida em Versos

Não era para haver algo mais? Algo que não coubesse no bolso ou no relógio? Ando com uma fome de estradas que não se aquieta. Saio por aí, de olhos gulosos, querendo furtar do mundo cada estímulo, cada saber, cada cor nova que o dia inventa. Sou esse pedinte de novidades, esse colecionador de espantos, e, nessa pressa de entender tudo, acabo esquecendo o que vim buscar. A gente tropeça nas “grandes verdades” e esquece que a verdade, a de verdade mesmo, é aquela que a gente deixa para trás, caída no chão, como um lenço esquecido num banco de … Continue reading A Vida em Versos

The Unyielding Persistence of Love

In the vast expanse of the cosmos, I scattered the essence of my being, my soul, like stardust strewn across the galaxy. I cast my heart, the core of my emotions, into the depths of the sea, surrendering it to the ebb and flow of the tides. I sought refuge within myself, hiding in the labyrinth of my thoughts and feelings, yet Love, with its relentless pursuit, found its way back to me. I have voiced a symphony of battle cries, each note echoing my courage and determination. I have unleashed a torrent of screams, each one a testament to … Continue reading The Unyielding Persistence of Love

L’Existence Mise à Nu

Je veux vivre. Mais vivre d’une vie qui n’a pas de nom, une vie qui coule comme un sang silencieux. Je veux m’asseoir près de la fenêtre, là où la pluie dessine des alphabets éphémères sur le verre, et m’abîmer dans des livres dont le savoir ne sera jamais une monnaie. Lire pour le seul vertige de ne pas comprendre, pour le plaisir de se perdre entre les mots. Je veux dessiner. Non pas pour l’objet, non pas pour l’œil de l’autre, mais pour le mouvement de la main qui cherche une forme dans le vide. Un dessin sans profit, … Continue reading L’Existence Mise à Nu

The Elusive Nature of Love

We are hunters of the tangible, are we not? We go about the world with open, aching palms, seeking a thing we can finally hold, a thing we can feel against the skin and breathe into the very lungs until it becomes us. We want the solid. We want the now. But here is the secret that the silence keeps: we never truly know that when we find it—and subsequently lose it, as all things must be lost—we can never find it again. Not in the way we knew it before. The universe is a series of shifting mirrors. We … Continue reading The Elusive Nature of Love

Mel e Vertigem

Devo voar. Mas não é o voar dos pássaros, esse que se explica pela biologia ou pela mecânica das asas. É um voo sem penas, sem nada que me sustente a não ser o próprio vazio. Sinto o sopro. Ele vem de uma esperança súbita, uma dessas correntes de ar que invadem a sala por uma janela mal fechada — uma fresta, apenas o suficiente para que o destino me toque. O ar agora tem um gosto espesso, uma mistura de lavanda e mel que me entorpece a língua, enquanto o cheiro dos cedros traz uma saudade de algo que … Continue reading Mel e Vertigem

1987

Era 1987, ou talvez fosse apenas o tempo desatento de um relógio de parede. Eu, que sou das ciências humanas e me perco no excesso das palavras, tentei ser uma física iniciante. Uma noviça dos átomos. Porque é preciso acreditar em algo invisível: o milagre das mínimas partículas que inventam a cama, a casa, o corpo que nos serve de habitação. Nossos átomos se misturaram em uma confusão de sinapses. A galáxia dele, vasta e estrangeira, colidiu com a minha, deixando um rastro de poeira cósmica. Mas o infinito dele acabou. E quando acabou, foi um rasgo: como se alguém … Continue reading 1987

O Aluguel do Invisível

Pedi que você vivesse no meu coração. Assim, sem preâmbulos, como quem pede um copo d’água para estancar uma sede que não é da garganta, mas do ser. Você disse que sim. Um “sim” curto, seco, desses que carregam dentro de si o peso de mil “talvezes”. Eu quis a segurança burocrática de um contrato, de um viver para sempre. Sugeri um contrato de locação, com cláusulas e garantias, para que o amanhã não me escapasse entre os dedos. Mas você, com essa sabedoria mansa de quem já foi estilhaçado, recusou o papel assinado. Escolheu o dia após dia. O … Continue reading O Aluguel do Invisível

An Book

I found an open book with empty pages – I saw the perfect shadow of a plane within its pages in a surrealist dream bearing clouds – they heaved and reluctantly parted I found a place – a center, a wish I collected musky scents and remnants of clothes dropped on the floor – at times, I discovered smothered words like hidden coins – I held on to these tokens of no worth steadying a flawless fire close to the cause of a deep wound – I assumed the exquisite pain and heady anger found inside the open book baring … Continue reading An Book

Next Door to the Silence

We used to believe they were strangers. We thought Love and Hate lived on opposite sides of the street, separated by the wide, paved certainty of the world. We looked at them from a distance, convinced that to walk toward one was to forever turn our backs on the other. But the years, those silent, hungry thieves, strip away the architecture of our illusions. Now, we see it. They do not live across the street. They are next-door neighbors who share the same plumbing, the same damp foundations. They live in a shared intimacy so profound it is almost obscene. … Continue reading Next Door to the Silence

O Mercado Feroz

“Mãe, do que se alimenta o mercado?” A pergunta pairou no ar como um pássaro hesitante antes de pousar. A mãe, com olhos cansados e mãos calejadas pelo tempo, suspirou: “Da vida dos pobres, meu amor.” O menino franziu a testa, tentando decifrar o peso daquelas palavras. Olhou ao redor, para as prateleiras abarrotadas do supermercado, para os anúncios coloridos que prometiam felicidade em embalagens brilhantes. Viu o homem de uniforme recolhendo os carrinhos, a mulher no caixa contando moedas, o entregador suado equilibrando sacolas. A mãe apertou a mão do filho e continuou a caminhar. Passaram pela padaria, onde … Continue reading O Mercado Feroz